sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Trabalhadores Sem-teto do MTL ocupam terrenos em Murici


Os 250 trabalhadores chegaram pela manhã e montaram acampamento.


Duzentos e cinquenta trabalhadores sem-teto, coordenados pelo Movimento Terra Trabalho e Liberdade - MTL, ocuparam terreno para habitação na manhã desta sexta-feira (24). Os terrenos têm cerca de oito hectares, sendo parte da prefeitura e outra de particular. "A intensão é acomodar as cerca de cem famílias excedentes do Acampamento Portelinha que ficaram fora do cadastro das casas e atender outras famílias carentes" disse Antônio Alves da coordenação do MTL.

Após erguer as barracas chegou o candidato a prefeito da cidade, Cardoso, se dizendo dono de parte do terreno, revelando que outra parte é de propriedade da prefeitura, tentando convencer os sem teto a desocupar a sua parte.

"Como não recuamos, o candidato que tem tumultuado outro acampamento do MTL na cidade, saiu e voltou com cerca de quatro famílias, colocou uma bandeira de outro movimento, com a intensão de causar conflitos, promovendo ocupação com finalidade eleitoreira, o que pode lhe causar complicações por simular uma ocupação e causar conflitos com outro movimento por conta de suas brigas políticas" disse Antônio Alves. "Vamos lutar pelo terreno todo, completou".

Uma viatura da polícia militar esteve no local por volta das 14 horas, tirou fotos e quando os trabalhadores tentarem também fotografar a viatura, eles se retiraram às pressas. "Isso não é atitude de polícia e sim dos proprietários, denunciou José Amaro, um dos ocupantes".

Até a noite foi de improvisação para se acomodar. "Geralmente é assim nos primeiros dias, com dificuldades. Os próximos passos é garantir uma estrutura mínima para a energia e água para uma acomodação mais humana para famílias que se enquadram no perfil da casa dos programas do governo federal", disse Rafael Simão, membro da coordenação. Essa região foi arrasada pelas chuvas em 2010, na sua maioria as casas ainda não foram entregue.  

(por MTL/AL)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Saída dos Sem-terra da Praça pode ser definida com vinda do Presidente Nacional do Incra


Carlos Guedes de Guedes pode anunciar convênio para compra de quatro imóveis rurais.


Nesta terça-feira (14) pode ser definida a saída dos trabalhadores rurais da Praça Visconde de Sinimbu, no centro de Maceió. A permanência de 17 meses na Capital, consequência do despejo da fazenda Cavaleiro (Murici), pode ser resolvida com anúncio de compra de terras que, também pode agilizar o acesso de trabalhadores a mais três imóveis rurais (em despejos) que ocasionaram os recentes bloqueios de rodovias contra despejos que aumentam as tensões agrárias entre os sem-terra versus fazendeiros e usineiros, receberá um reforço de Brasília.

Como houve recuo pelo governo federal na aquisição de quatro imóveis rurais mais antigos e tensos (Bota Velha [CPT], Gulangi [MTL],  São Semeão [MLST] em Murici e São Sebastião [MST] em Atalaia)  e esgotadas as tentativas de desocupação pacífica de duas das quatro Fazendas (São Sebastião em Atalaia e São Simeão em Murici), restou o uso da força policial pelo estado para cumprir a ordem de despejo do Juiz Agrário, Airton Tenório.

Com a ameaça de despejo, os trabalhadores reagiram e bloquearam várias rodovias em protesto há uma semana e no dia da desocupação forçada em Atalaia, os movimentos agrários (MTL, MST, MLST e CPT) uniram-se e apoiaram a disposição dos sem terra que anunciaram a resistência à desocupação como protesto à atitude do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que retirou da agenda a aquisição desses imóveis rurais.

Com os ânimos acirrados e sem acordo, era tido como inevitável um enfrentamento entre trabalhadores e policiais, podendo reproduzir o massacre que resultou no assassinato de 21 sem-terra em Eldoraldo dos Carajás (Pará) em 1996, em cumprimento a outro despejo. Para evitar um derramamento de sangue, os Desembargadores do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) Sebastião Filho (Presidente) e Tutmés Ayran foram ágeis, em fazer reunião de emergência no Instituto de Colonização e Reforma  Agrária (Incra) em Brasília com o apoio do governo de Alagoas, em busca de saída para o conflito.

O resultado desse  empenho será anunciado na reunião extraordinária do Comitê de Mediação de Conflitos Agrários, coordenado pelo Secretário Álvaro Machado, que ocorre nesta terça-feira (14) às 9 horas, no Salão de Despacho, no antigo Palácio do Governo de Estado com a presença do Presidente do Incra Nacional, Carlos Guedes de Guedes.

Na pauta, os despejos e outros assuntos. Para Antônio Alves da coordenação do MTL, "o que se espera é que o convênio esteja entre os outros assuntos, que resolve a situação de quatro acampamentos, incluindo o povo que se encontra na Praça (Sinimbu)". "Um confronto no campo traria grandes consequências para os trabalhadores, Governo de Alagoas e judiciário, além de anular o empenho dessas autoridades e dos membros do Comitê para que haja mais agilidade na reforma agrária, paz no campo e o cumprimento às ordens judiciais", disse Valdemir Agustinho do MTL.


  (Assessoria MTL)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ameaça de espejos aumenta tensão no campo em Alagoas e autoridades buscam saída em Brasília‏

Com reforma agrária paralisada, o número de despejo aumenta na vara agrária e movimentos reagem.

O aumento de despejos concedidos pela vara agrária e a paralisação da política agrária tem acirrado os ânimos entre trabalhadores sem terra versus latifundiários e mobilizado autoridades em busca de uma agenda positiva para a diminuição dos conflitos em Alagoas. Um desses momentos de tensão motivou a criação pelo governo de Alagoas, do Comitê de Mediação de conflitos agrários para negociação das classes opostas - e diretamente envolvidas - no campo: movimentos agrários, FUNAI (índios) e produtores rurais, coordenado pelo Secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado.

Para equilibrar o diálogo e apontar respostas, o Comitê conta com as presenças do Juiz e Promotor Agrários e Defensora Púbica Agrária; do Incra, TJAL (através do Desembargador Tutmés Ayran e do próprio presidente, Desembargador Sebastião Costa Filho). AMA, Iteral e Seagri também participam. Embora haja uma vaga para a Assembleia Legislativa, por razões óbvias, esta nunca indicou o nome. Por demanda do Comitê, vários órgãos e autoridades foram “provocadas” a responder pautas que amenizem a tensão no campo.

A iminência de conflitos tem mobilizado autoridades e criado agenda em Brasília para a questão agrária em Alagoas. Entre os que tiveram reunião com o governo federal foi o Governador Teotônio Vilela Filho, os Desembargadores Sebastião Costa Filho e Tutmés Ayran do Tribunal de Justiça e a Superintendente do Incra em Alagoas Lenilda Lima. Além de trazer ao estado, representantes de Brasília como o Ouvidor Agrário Nacional, do Núcleo de Combate à Violência no Campo, do INCRA e Ministério do Desenvolvimento Agrário(MDA).

Mesmo com esse esforço de criar um ambiente de negociação, que serve de modelo para outros estados em busca de experiência pacificadora na mediação de conflitos no campo, a reforma agrária não avança. São comuns despejos em cascata em Alagoas, destruição de lavouras, denúncias de ameaças e até de mortes de trabalhadores rurais. Os bloqueios de rodovias voltaram a ser mais frequentes à medida que as metas de assentamentos deixam de ser cumpridas pelo governo federal.

Na reocupação da Praça Sinimbú no centro de Maceió, na madrugada desta quinta (09) os trabalhadores que ocupava o Incra há dois meses fizeram uma assembleia, após o erguimento das barracas, regataram a história de luta e das dificuldades no campo, na praça e no Incra. “o retorno para a praça poderá não ser por muito tempo. Haverá reunião em Brasília no dia 28, dependendo do aceno positivo para assinatura do convênio, poderemos retornar para o campo logo após, ainda que seja para as margens de rodovias” disse Antônio Alves, um dos coordenadores do MTL.

Para a agricultora Quitéria Paulino “a Praça é melhor que o Incra, mas bem melhor é estar no campo, produzindo. Praça de Cidade não é nosso canto. Quando vimos é forçado por despejos”. Para Rafael Simão Carlos, da coordenação do MTL, "a espectativa é de que o convênio para aquisição de fazendas não se perca na burocracia".

Outra expectativa é a reunião do Comitê de Mediação de Conflitos Agrários, que ocorrerá na próxima terça-feira (07) às 9 horas, no antigo Palácio do Governo de Estado, que tratará da resposta da reunião emergencial do Governador e dos Desembargadores do TJAL em Brasília, nesta quarta (08), em busca de medidas para distensionar o campo. Contará com a presença do Presidente do Incra Nacional, Carlos Guedes de Guedes.

(Assessoria MTL)

Mais imagens da reocupação http://www.facebook.com/mtl.alagoas

Sem Terra do MTL desocupam Incra em Maceió após 69 dias de ocupação e retornam para praça


A desocupação foi motivada pela agenda no dia 28 com representantes do governo federal para discutir  aquisição de imóveis rurais.

 

Despejados em janeiro do ano passado violentamente da fazenda Cavaleiro, também conhecida por Gulangi, após quase sete anos de acampamento  na zona rural de Murici, distante 51 km da capital, as famílias foram para as margens da BR 104. Em fevereiro do mesmo ano, temendo cair no esquecimento, o acampamento se dividiu e 30 das 70 famílias resolveram montar barracas  na Praça sinimbu, na porta do Incra.

Foram longos 15 meses no logradouro público, sem estrutura, sem banheiro  e sem a terra. Ao final desse tempo, a prefeitura de Maceió acionou o judiciário e os sem terra sofreram mais um despejo. "O intuito do despejo era para reformar a praça e arrumaram apenas alguns bancos quebrados", disse Quitéria, uma das acampadas.

No dia 31 de maio, o Incra  tentou  levar o grupo da praça para o assentamento Flor do Mundaú, em Branquinha. A prefeita Renata Moraes reuniu compradores de lotes de vários assentamentos (armados )e expulsou o Incra e os sem terra do assentamento, com o pretexto que o municípios não comportava. "Os sem terra iriam trabalhar em lotes comprados ilegalmente e não sobrecarregar os serviços da cidade", disse Rafael Carlos da coordenação.     

Com o segundo despejo em um dia (da praça e de Branquinha) os sem terra voltaram para Maceió e ocuparam a sede do Incra, montando acampamento nas calçadas dos cômodos de trás da autarquia federal. "Como as barracas não ficavam  aparentes, para muitos, que não viam os sem terra na praça, deram o problema por resolvido", declarou  Antônio Alves, membro da coordenação. "E como não resolveram, ele reapareceu", completou.   

A esperança para este acampamento que tem idade de despejo da vara agrária de um ano e sete meses (24 de janeiro de 2011) e um ano e seis meses de praça, é o convênio entre os governos de Alagoas e Federal, com repasse  para aquisição de quatro imóveis rurais que resolveria a tensão nos imóveis mais tensos (e antigos de ocupação) em despejo, um de cada movimento (MTL, CPT, MLST e MST), motivo dos últimos protestos da semana, com vários bloqueios de rodovias e anúncio de resistência dos trabalhadores a desocupação ante a morosidade e recuo na política de assentamento do governo federal.

Com a  agenda em Brasília (28) com representantes do governo Dilma para tratar dessa pauta, os sem terra que ocupavam a Sede do Incra há 69 dias,  em reunião com a superintendente, Lenilda Lima, decidiram dá um voto de confiança e desocuparam o Incra. A reunião será com o Ministro da Reforma Agrária,  o Presidente do Incra Nacional, o Secretário Geral da Presidência e a  Ministra da Casa Civil.  A representação de Alagoas será  do governo, do Incra, do TJAL e dos Movimentos sociais, membros do Comitê de Mediação de conflitos agrários, criado pelo governo de Alagoas em parceria com  a presidência do judiciário em busca de soluções pacíficas para as tensões no campo.

(Assessoria do MTL/AL)


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mulher do prefeito de Novo Lino é acusada de linchar eleitora adversária

Com escoriações, a vítima Janequele, acusa a primeira-dama Fernanda Viana pelas agressões. 

 

Uma agressão contra uma eleitora do grupo rival, patrocinada por familiares, incluindo a mulher do Prefeito Everaldo Barbosa (PMN) de Novo Lino, Fernanda Viana, ocorrido durante uma passeata neste domingo (29) quebrou o clima morno das eleições. A temperatura dos ânimos subiu em apenas 16 dias que foram liberadas as atividades eleitorais.

A vítima dessa vez foi a mãe solteira,  Janequele dos Santos, 23, que trabalha em Maceió, mas mantém residência em Novo Lino, onde passa suas folgas. Segundo relatou, estava na rua com seu filho de apenas seis anos e uma amiga grávida de 9 meses, quando, por volta das 18 horas  deste domingo, no centro da cidade, passou um "arrastão" do grupo do atual prefeito, Everaldo Barbosa, que tenta a reeleição e várias pessoas começaram a agredi-la.

"Quando me avistaram, primeiro, a senhora Elma, que é esposa do Secretário de Administração Ednaldo Barbosa  (irmão do prefeito) mais conhecido como Ném, partiu do nada para a agressão. Com o tumulto, para que também não sofressem agressão, pedi a minha amiga grávida que se afastasse com meu filho que ficou transtornado e aos prantos", relatou indignada a vítima.

"Foram muitas contra uma, pois, outras pessoas como a funcionária pública contratada Franciele se somou ao linchamento" denunciou janequele, acrescentando ainda que tem testemunhas até da participação da primeira-dama, Fernanda Viana, na agressão gratuita e de desespero. "Apanhei, fui arranhada no rosto, no braço. Na confusão me tomaram uma máquina fotográfica; joias foram arrancadas de meu corpo e até 50 reais que estava na minha mão desapareceu. Até agora não me devolveram nada. Isso não é política. Everaldo estava presente e não impediu" disse indignada.  

"Toda essa raiva é por que eles sabem que historicamente minha família vota com o Aldemir Rufino, adversário do prefeito", revelou a vítima. Após a agressão sofrida, Janequele procurou a delegacia para registrar ocorrência e ser encaminhada para exame de corpo de delito e não foi atendida. "O policial que me recebeu nem abriu a porta, dizendo que havia 12 presos naquele recinto e que não ia registrar nada, que voltasse outro dia. Voltei hoje (segunda), outro policial me falou que retornasse no dia do plantão do delegado, na quarta, e que deveria chamar as partes para tomar por termo".

Janequele falou ainda que foi orientada para denunciar o caso ao conselho tutelar. "Depois do ocorrido, meu filho não conseguiu dormir e vive assustado chorando. Talvez precise de acompanhamento de um psicólogo" completou revoltada. Sem poder desmentir a agressão, por conta das escoriações, membros da equipe do prefeito nega a participação da primeira-dama Fernanda Viana no episódio, tentando contrariar a versão da vítima que afirma que irá apresentar cinco testemunhas quando registrar a ocorrência.  

Novo Lino deve ser comtemplado mais uma vez com a presença da tropa federal pelo histórico clima de violência em eleições. Em 2008, a cidade foi contemplada com a vigilância federal a quatro dias do pleito, graças ao incidente ocorrido dias antes, quando houve o  encontro entre duas passeatas de candidaturas rivais que ameaçavam se enfrentar. O juiz Alberto Ramos, que passava no local com sua segurança, entrou no meio para tentar impedir o enfrentamento e foi atingido com uma garrafa de vidro na cabeça, sem identificar a autoria.

Conta também como argumento para a presença federal os vários crimes de execussão políticas na cidade, terra do foragido Lula Soares, da guandue da pistolagem, e dos membros da guangue fardada, Everaldo pai de Eloá (responde a crimes de execussão), o foragido  cabo Cição Felizardo e seu irmão Gabriel Felizardo, preso ano passado no Ceará, acusado do assassinato do irmão do ex-governador Ronaldo Lessa.

(fonte: Janequele dos Santos)



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