| PAÍS - ALIMENTAÇÃO | ||||||
Professores da Universidade de Brasília (UnB) defendem a agricultura familiar para proteger a variedades de alimentos no país. O Brasil é considerado um dos centros de origem da biodiversidade agrícola no mundo. | ||||||
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| Em entrevistas à Agência UnB, os professores destacaram a agricultura familiar como central para a preservação de espécies de alimentos. Ricardo Neder lembra que “a diversidade de espécies agrícola está associada à sociodiversidade, representadas pelo pequeno produtor”. Nagib Nassar explica que centros de origens são regiões onde surgiram os principais alimentos cultivados no mundo. Egípcio, Nagib veio estudar no Brasil justamente por encontrar aqui um centro de origem da mandioca. O pesquisador destaca que a diversidade genética é importante para a descoberta de espécies mais nutritivas e resistentes. Já Tamiel Khan acrescenta que “em muitas ocasiões o geneticista não sabe onde encontrar as melhores espécies”. Para ele, o diálogo com o saber popular é essencial. Segundo o professor Khan, a atuação dos agricultores familiares também é fundamental para proteger as variedades selvagens das espécies cultivadas, que “geralmente são as mais adaptadas às condições naturais de solo e clima”. (pulsar) pulsar Brasil | ||||||
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Professores defendem agricultura familiar para proteger biodiversidade
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Agrotóxico: o veneno produtor de doenças no Brasil
A campanha contra os agrotóxicos ganha a dimensão real de superação do que temos, a partir da construção do projeto popular para o Brasil que queremos
23/08/2011
Roberta Traspadini
A campanha contra o agrotóxico e pela vida protagonizada pela Via Campesina e demais movimentos sociais articulados da cidade traz, para a sociedade brasileira, dois debates históricos centrais:
1) a produção e o consumo de venenos no Brasil;
2) o modelo de desenvolvimento econômico-social-político (inter)nacional e seu caráter estrutural de disseminação de doenças para a sociedade em geral, mas especialmente para a classe trabalhadora.
- Sobre a produção de alimentos:
Dados do IBGE relatam que a agricultura familiar e camponesa no Brasil soma quase 85% das propriedades agrícolas do país, ocupando, contraditoriamente, apenas 24% do espaço.
Em suas terras trabalham aproximadamente 12,5 milhões de pessoas o que corresponde a 74,5% do total dos trabalhadores do campo. Destas propriedades saem quase 70% dos alimentos consumidos pelas famílias brasileiras diariamente.
Mas, de forma cada vez mais intensa, a produção familiar-camponesa está subordinada e condicionada à lógica imperante do modelo agrário imperialista no território. Por um lado, esta produção se divide entre a matriz da agroindústria e a subordinação à matriz tecnológica da revolução verde, consumidora de insumos industriais.
Por outro lado, o agronegócio – aliança entre os grandes proprietários de terra, o capital financeiro e as empresas transnacionais - dita as regras no campo brasileiro, cujo objetivo é a produção de commodities para a exportação.
Com a venda de 1 bilhão de litros de veneno na última safra, as empresas estrangeiras se apropriam de cerca de 80% do lucro gerado pela produção de veneno, com destaque para a concentração do poder econômico da Syngenta, Bayer, Basf, Dupont, Monsanto, Shell Química.
- O modelo de desenvolvimento dependente
A característica marcante do capital imperialista no século XXI é sua capacidade de metamorfosear-se para ganhar, de forma extraordinária, em cada uma das áreas em que atua e com isto tentar, de maneira permanente, conter as crises que são inerentes ao seu modo de operar. Capital comercial, capital bancário, capital industrial, são algumas dessas faces do mesmo capital.
Além de vender veneno para o campo para a produção de alimentos para o povo brasileiro, o capital produtivo do veneno associa-se, como capital bancário, às regras legais do Estado que, em sua forma de financiar a agricultura familiar-camponesa, atrela o crédito a uma série de condicionantes centradas na compra destes bens.
O dinheiro emprestado na forma de crédito torna-se irmão siamês do capital por dois motivos: 1) o agronegócio não consegue produzir sem a injeção de R$ 107 bilhões por ano, para tirar R$ 150 bilhões da venda de mercadorias. 2) o principal objeto desta aliança de capitais é o de transformar tudo em mercadoria para obtenção de lucro, na forma de insumos industriais produzidos pelas empresas transnacionais, como o exemplo do veneno.
Isto não é diferente do que acontece com o capital industrial, que transforma praticamente todos os elementos da vida em valores de troca. Assim, saúde, terra, educação, trabalho, vão ganhando um destaque na compra e venda do comércio ditado pelo grande capital. E a propaganda de “naturalização” do modelo ganha corpo e evidência, ainda em meio às mais perversas situações vividas no cotidiano pelo povo brasileiro.
O aumento progressivo de doenças como o câncer em todas as faixas etárias, traz à luz um debate central manifesto na campanha contra o agrotóxico e pela vida que devem ser consideradas, tanto no debate quanto na (re)ação necessária à luta contra a vida envenenada.
- O câncer como uma doença “naturalizada”
Segundo A União Internacional Contra o Câncer, mais de 160 mil crianças no mundo são diagnosticadas com a doença a cada ano. 80% destas crianças vivem em países em desenvolvimento. Enquanto 3 entre 4 crianças têm chances de sobreviver após 5 anos de tratamento, estima-se que nos países em desenvolvimento, mais da metade das crianças têm probabilidade de morrer. Somente nos EUA a incidência anual é de 7 mil novos casos por ano.
No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INC), define esta doença como uma das primeiras causas de morte entre crianças e jovens de 0 a 19 anos, só perdendo para violências e crimes.
A estimativa do INC do total de pessoas com câncer no País foi de 490 mil casos. 237 mil homens, 253 mil mulheres afetados com a doença.
Deste grupo, existem de 12 a 13 mil crianças acometidas com câncer, fora os que têm a doença, mas não são diagnosticados e morrem.
Outro destaque importante do estudo é a diferença entre as regiões, a partir do grupo de idade e sua média em relação à nacional.
Observemos didaticamente:
- Grupos de IdadeMedia brasileira de óbitos (para cada 1 milhão)Regiões acima da média brasileira na mortalidade0 a 1 ano39 mortesCO (+55); NE (+40)1 a 4 anos45 mortesS(+50);CO(+48); SE(+46)5 a 9 anos36 mortesCO(+45);S(+40); SE(+39)10 a 14 anos33 mortesCO e S(+39); SE(+37)15 a 18 anos45 mortesS(+53);CO(+47); SE(+46)
- Josué de Castro e sua atualidade:
Em 1946, Josué de Castro, um médico comprometido com a vida e contrário ao veneno já defendia que a fome enquanto fenômeno social e histórico era um tabu rentável no Brasil e no mundo. Quase um século depois, vemos a complexidade do problema, pois, não só não dormem os que comem bem, com medo dos que não comem.
Parte expressiva dos que comem – mal -, não dorme porque suas enfermidades físicas, fruto do histórico processo de desenvolvimento econômico envenenado no campo e na cidade, trazem dores e consequências múltiplas para eles e para os que cuidam deles.
Enquanto isto, o Estado entrega ao capital a responsabilidade de cuidar da saúde de seu povo. É isto o que representa os 3,91% do orçamento destinado à saúde em 2010. Uma associação – via parceria público-privada - entre o Estado e o grande capital para tentar curar de forma mercantil, aquilo que ele foi sócio na produção (uso de veneno).
A campanha contra os agrotóxicos é um processo permanente de vinculação entre o campo e a cidade. Seu ponto de partida é o de relatar como se produz alimento que comemos enquanto trabalhadores brasileiros. Mas vai além e ganha, no processo pela vida e contra o veneno, a dimensão real de superação do que temos, a partir da construção do projeto popular para o Brasil que queremos.
Roberta Traspadini é economista, educadora popular, integrante da consulta popular/ES.
domingo, 7 de agosto de 2011
Campanha incentiva distribuição de cartilha ‘proibida’ por Monsanto
Flavia Bernardes
Um movimento on-line voltou a incentivar a distribuição da cartilha “O Olho do Consumidor”, criada em 2009 para orientar os brasileiros sobre a conformidade orgânica no País. Na ocasião, movimentos ligados à agricultura familiar chegaram a denunciar que a cartilha havia sido proibida pela Monsanto, empresa ligada ao agronegócio.
Feita com ilustrações de Ziraldo, a cartilha foi lançada para divulgar a criação do “Selo do Sisorg” (Sistema Brasieliro de Avaliação de Conformidade Orgânica), que visava a padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o consumidor. Entretanto, chegou a ser retirada do ar, levantando suspeitas sobre a pressão do agronegócio para que a cartilha não fosse distribuída, mas a Monsanto negou qualquer interferência na campanha.
A cartilha é publicada atualmente através do link http:
Feita com ilustrações de Ziraldo, a cartilha foi lançada para divulgar a criação do “Selo do Sisorg” (Sistema Brasieliro de Avaliação de Conformidade Orgânica), que visava a padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o consumidor. Entretanto, chegou a ser retirada do ar, levantando suspeitas sobre a pressão do agronegócio para que a cartilha não fosse distribuída, mas a Monsanto negou qualquer interferência na campanha.
A cartilha é publicada atualmente através do link http:
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Documentário 'O Veneno Está Na Mesa'
Lançamento do filme “O veneno está na mesa”
27 de julho de 2011
Por Sheila Jacob
Do NPC
No último dia 25/07, o Teatro Casa Grande ficou pequeno para as mais de 800 pessoas que assistiram ao lançamento de “O veneno está na mesa”, o mais novo documentário do cineasta Silvio Tendler. O filme, feito para a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, mostra em apenas 50 minutos os enormes prejuízos causados por um modelo agrário baseado no agronegócio. Além dos ataques ao meio ambiente, os venenos cada vez mais utilizados nas plantações causam sérios riscos à saúde tanto do consumidor final quanto de agricultores expostos diariamente à intoxicação. Nessa história toda, só quem lucra são as grandes empresas transnacionais, como a Monsanto, Syngenta, Bayer, Dow, DuPont, dentre outras.
O documentário aborda como a chamada Revolução Verde do pós-guerra acabou com a herança da agricultura tradicional. No lugar, implantou um modelo que ameaça a fertilidade do solo, os mananciais de água e a biodiversidade, contaminando pessoas e o ar. Nós somos as grandes vítimas dessa triste realidade, já que o Brasil é o país do mundo que mais consome os venenos: são 5,2 litros/ano por habitante. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) denuncia que, em 2009, quase 30% dos mais de 3000 alimentos analisados apresentaram resultados insatisfatórios, com níveis de agrotóxicos muito acima da quantidade tolerável. Os produtos orgânicos, mais indicados, são de difícil acesso à população em geral devido ao alto custo.
Apesar do quadro negativo, o filme aponta pequenas iniciativas em defesa de um outro modelo de produção agrícola. Este é o caso de Adonai, um jovem agricultor que individualmente faz questão de plantar o milho sem veneno, enfrentando inclusive programas de financiamento do governo que tem como condição o uso desses agrotóxicos. Outro exemplo vem da Argentina: em 2009, a presidenta Cristina Kirchner ordenou à ministra da saúde, Graciela Ocaña, a abertura de uma investigação oficial sobre o impacto, na saúde, do uso de agrotóxicos nas lavouras. Enquanto isso, no Brasil, há incentivo fiscal para quem usa esses produtos, gerando uma contradição entre a saúde da população e a economia do país, com privilégio da segunda.
Debatedores destacam a importância do filme para divulgação do assunto
Em debate realizado após a exibição, o cineasta lembrou que o teatro Casa Grande nesta noite reiterou seu papel de resistência: enquanto na época da ditadura civil-militar reunia estudantes e militantes contra o inimigo fardado, “hoje o espaço serve para combater um inimigo invisível, que está diariamente em nossas mesas”. Letícia da Silva, da ANVISA, destacou o papel fundamental do filme para a divulgação e a conscientização de um perigo que a gente nem sabe que corre. “Estamos aqui inclusive na luta por democracia, já que só as transnacionais são ouvidas neste assunto”.
Letícia explicou ainda como as transnacionais dos venenos trabalham para que seus produtos não sejam retirados do mercado no Brasil, mesmo sendo proibidos nos exterior: “Primeiro, tentam desqualificar nossos argumentos com pesquisas científicas mostrando que os agrotóxicos não fazem mal; depois, recebemos pressão diretamente de deputados ligados à bancada ruralista; por fim, entram com ações na justiça para continuar a venda dos agrotóxicos.”
Alexandre Pessoa, da Escola Politécnica Joaquim Venâncio (EPSJV/FIOCRUZ), afirmou que esta é uma luta não apenas contra os venenos, mas sim por um outro modelo de desenvolvimento, que priorize a vida e não os lucros. “Em julho do ano que vem o Brasil será sede de um encontro organizado pela ONU que irá discutir o modelo de desenvolvimento de vários países. Trata-se do Rio +20, momento apropriado para que os movimentos sociais exponham para o mundo o modelo que queremos, em contraste com o que está sendo desenvolvido”. Por fim, Nívia Regina, do MST, falou sobre a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lançada em 7 de abril, Dia Mundial da Saúde. O objetivo é unir movimentos sociais e instituições públicas comprometidas para fazer críticas e propor alternativas ao atual modelo perverso de desenvolvimento do campo.
"O Veneno está na mesa" será em breve distribuído gratuitamente, além de ser exibido pela internet. Pelo BoletimNPC e Boletim do MST Rio divulgaremos como obter o vídeo, importante instrumento de denúncia e de conscientização para uma ameaça presente diariamente em nossas mesas.
fonte: site mst
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Os 10 alimentos mais contaminados por agrotóxicos
Muito já se ouviu falar sobre o perigo do consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos. Pois o elevado grau de
toxicidade pode causar problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e, até mesmo, câncer.
Preocupado sempre com a saúde e bem-estar dos seus consumidores, a www.NaturalemCasa.com explica melhor o tema e mostra quais são os alimentos mais contaminados por agrotóxicos.
A utilização de agrotóxicos na produção agrícola e a contaminação dos alimentos por estes elementos tóxicos têm sido preocupação no âmbito de saúde pública. Um estudo realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), iniciado em 2011, mostra que muitos dos mantimentos que consumimos normalmente estão contaminados.
O Projeto de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), realizado pela Anvisa em conjunto com os órgãos de vigilância de 25 estados participantes, mais o Distrito Federal, analisou diversos legumes, frutas e vegetais para ver o quanto estavam contaminados.
Os alimentos mais contaminados são:
- Pimentão (80,0%);
- Uva (56,40%);
- Pepino (54,80%);
- Morango (50,80%);
- Couve (44,20%);
- Abacaxi (44,10%);
- Mamão (38,80%);
- Alface (38,40%);
- Tomate (32,60%);
- Beterraba (32,00%).
Dica! Para evitar a contaminação por agrotóxicos, o ideal é consumir produtos orgânicos. Mas como nem sempre é possível, por serem mais caros, é aconselhável tomar muito cuidado com os produtos antes de comprá-los e sempre lavar bem os alimentos antes de consumir.
Fonte:
www.NaturalemCasa.com
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